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O que falar na terapia quando você não sabe por onde começar

O que falar na terapia: por que dá branco, ideias para começar, o silêncio, temas difíceis, o que as pessoas escondem e como falar da própria terapia.

No início da sessão, um homem procura com um sorriso sem graça por onde começar, enquanto a psicóloga espera, acolhedora.

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Neste artigo
  1. Por que dá branco?
  2. Ideias de por onde começar
  3. E se eu ficar em silêncio?
  4. O que as pessoas costumam deixar de dizer
  5. Temas difíceis: como abrir
  6. Falar da própria terapia
  7. Semanas boas também contam
  8. Preciso preparar a sessão?
  9. E no online?
  10. Um exemplo fictício
  11. Perguntas frequentes
  12. Avaliação inicial online
  13. Fontes

Você chega à sessão, a psicóloga pergunta como você está, e dá branco. A semana foi comum, nada grave aconteceu, e parece que faltou assunto. Isso acontece com muita gente, e costuma ser um ótimo ponto de partida.

Em resumo

Na terapia, você pode falar do que quiser: algo da semana, um sentimento, um sonho, uma lembrança, uma preocupação, algo que incomodou na sessão anterior ou a própria dificuldade de começar. Todo tema cabe, por menor que pareça. O silêncio também tem lugar, e costuma dizer algo. E o que é difícil de dizer, como vergonhas, dúvidas sobre a terapia ou pensamentos que assustam, costuma ser justamente o que mais ajuda quando é dito.

A terapia não tem pauta obrigatória. Isso é libertador para algumas pessoas e angustiante para outras. Quando dá branco, a sensação é de estar desperdiçando o tempo, e muitas pessoas chegam a desmarcar a sessão por não ter “nada para contar”.

Como funciona o processo como um todo está em como funciona a terapia. Aqui o foco é o momento em que você não sabe o que dizer.

Por que dá branco?

Os motivos mais comuns são:

  • A ideia de que terapia é só para assuntos graves. Numa semana tranquila, parece que não há o que dizer.
  • O medo de julgamento, ou de parecer repetitivo, fútil ou exagerado.
  • A ansiedade do momento, que apaga o que você tinha pensado em falar no caminho.
  • A dificuldade de saber o que é relevante. Muita coisa importante parece banal para quem a vive.
  • Um tema difícil rondando. Às vezes o branco é o jeito de a mente evitar algo que está perto de aparecer.

Reconhecer o motivo já ajuda. E dizer à psicóloga que deu branco é uma forma perfeitamente válida de começar.

Ideias de por onde começar

Se precisar de um empurrão, algumas portas de entrada:

  1. O que aconteceu na semana, mesmo que pareça comum, e como você se sentiu.
  2. Uma emoção que apareceu sem motivo claro: irritação, tristeza, ansiedade, alegria.
  3. Um sonho, mesmo que em fragmentos.
  4. Uma lembrança que voltou nos últimos dias.
  5. Uma conversa ou situação que ficou na cabeça.
  6. Algo que você evitou fazer e por quê.
  7. O que ficou da última sessão: um pensamento, um incômodo, uma pergunta.
  8. Algo do corpo: sono, cansaço, apetite, tensão.
  9. Uma decisão que está pendente.
  10. A própria dificuldade de falar hoje.

Essas portas costumam levar a lugares importantes. Um sonho, um incômodo ou uma situação aparentemente banal muitas vezes se conectam com as questões centrais do trabalho.

E se eu ficar em silêncio?

O silêncio faz parte da terapia. Ele pode ser um momento de pensar, de sentir, de se aproximar de algo difícil. Pode também indicar cansaço, resistência ou um conteúdo que ainda não encontrou palavras.

A psicóloga presta atenção ao silêncio, a quando ele aparece e ao que vem depois. Ela pode esperar, fazer uma pergunta ou comentar o próprio silêncio, conforme o momento. Você pode deixá-lo existir, sem pressa de preenchê-lo. Se ele ficar desconfortável, dizer isso também é uma forma de falar.

O que as pessoas costumam deixar de dizer

Quase todo mundo esconde alguma coisa na terapia. Numa pesquisa de Blanchard e Farber, de 2016, com 547 adultos em psicoterapia, 93% disseram já ter mentido ou omitido algo do terapeuta. Os temas mais comuns envolviam minimizar o próprio sofrimento, fingir concordar com algo que o terapeuta disse e evitar dizer que a terapia não estava ajudando.

Os motivos são compreensíveis: vergonha, medo de decepcionar, vontade de parecer bem, receio de magoar o terapeuta. Mas cada coisa não dita tira da terapia justamente a informação de que ela mais precisa. Uma sessão que parece estar indo bem, enquanto você sente o contrário, deixa de ser ajustada.

Temas difíceis: como abrir

Alguns assuntos custam mais: vergonhas, sexualidade, uso de álcool ou outras substâncias, dinheiro, raiva de alguém próximo, sentimentos em relação à própria psicóloga, pensamentos que assustam. Uma forma simples de começar é anunciar a dificuldade antes do conteúdo:

  • “Tem uma coisa que eu queria falar, mas tenho vergonha.”
  • “Não sei como você vai reagir ao que eu vou dizer.”
  • “Tenho evitado um assunto há algumas sessões.”

Essa frase já abre o caminho, e a psicóloga pode ajudar a seguir no seu ritmo. A terapia é um espaço protegido pelo sigilo profissional, previsto no Código de Ética do Psicólogo, com exceções para situações de risco grave, que valem ser esclarecidas no início.

Pensamentos de morte ou de se machucar precisam ser ditos. Falar sobre eles é o primeiro passo para receber ajuda, e perguntar sobre isso faz parte do trabalho da psicóloga.

Falar da própria terapia

Um dos assuntos mais úteis, e menos falados, é a própria terapia. Você pode dizer que algo incomodou na última sessão, que uma interpretação não fez sentido, que está com dúvida se está avançando ou que sente vontade de parar.

A relação com a psicóloga é parte do tratamento, e conversas sobre ela costumam fortalecer o trabalho. Dizer “não concordei com aquilo que você falou” ou “senti que você não entendeu” abre espaço para ajustes que, de outro modo, nunca aconteceriam.

Semanas boas também contam

Uma semana tranquila é uma boa oportunidade para olhar o que funcionou: o que você fez diferente, o que ajudou, o que mudou desde o começo. Consolidar o que está dando certo é tão importante quanto trabalhar o que dói.

Semanas boas também abrem espaço para temas que ficam de lado nas crises: planos, desejos, relações, a própria história.

Preciso preparar a sessão?

É opcional. Algumas pessoas gostam de anotar durante a semana o que querem levar: um sonho, uma situação, uma pergunta. Outras preferem chegar e deixar o assunto surgir. Os dois jeitos funcionam.

Se você costuma esquecer o que queria dizer, uma nota no celular ajuda. Se preparar a sessão virou mais uma cobrança, vale deixar de lado, ou levar essa cobrança para a conversa.

E no online?

No atendimento por vídeo, a privacidade faz diferença no que você consegue dizer. Um lugar reservado, fones de ouvido e a certeza de que ninguém vai entrar ajudam a falar de temas difíceis. Se alguém estiver por perto, avise a psicóloga; às vezes vale combinar outro horário ou outro espaço. As condições estão no guia de terapia online.

Um exemplo fictício

A situação a seguir foi criada para este artigo.

Caso fictício

“Hoje não tenho nada para falar”

Uma pessoa chega à sessão e diz que a semana foi tranquila e que talvez nem precisasse ter vindo. A psicóloga pergunta como foi chegar sem assunto. Ela conta que quase desmarcou, que se sente culpada por “ocupar o horário” sem problemas graves e que sempre teve a sensação de só merecer atenção quando está mal.

A conversa, que começou sem pauta, chega a um tema central da vida dela: a dificuldade de ocupar espaço, que aparece também no trabalho e nas amizades. A sessão que parecia vazia se tornou uma das mais importantes do processo.

Vinheta criada para fins didáticos. Não descreve nenhuma pessoa real.

Quando procurar ajuda

Procure terapia quando uma dificuldade causa sofrimento, atrapalha a rotina ou as relações, ou quando você quer entender padrões que se repetem. Ninguém precisa saber de antemão o que vai falar. Em risco imediato à sua segurança, procure um serviço de emergência ou o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.

Na prática clínica

Quando alguém chega dizendo que não tem nada para falar, começo por aí. O jeito como a pessoa chega, e o que o branco significa para ela, costumam abrir caminhos que uma pauta pronta deixaria passar.

Presto atenção também ao silêncio: quando ele aparece, o que vem antes e o que vem depois. Ele diz muito, e respeitar o tempo de cada pessoa faz parte da escuta.

E convido a falar da própria terapia. Saber o que incomodou ou o que não fez sentido é o que me permite ajustar o trabalho.

Como eu posso ajudar · Psicoterapia online

Se você quer começar a terapia, posso ajudar. Atendo adolescentes e adultos em psicoterapia online, no Brasil e no exterior, com a abordagem junguiana e uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Também realizo terapia de sessão única e avaliação psicológica diagnóstica, inteiramente online.

Sou psicóloga há 18 anos e trabalho no serviço público de saúde. Na consulta inicial, você me conta o que está vivendo, com as palavras que tiver, e eu explico como trabalho. Conheça minha trajetória na página sobre mim.

Perguntas frequentes

O que falar na terapia quando não tem nada acontecendo?

Você pode falar da semana, de um sentimento, de um sonho, de uma lembrança ou da própria sensação de não ter assunto. Semanas tranquilas também são boas para olhar o que está funcionando.

É normal ficar em silêncio na terapia?

É. O silêncio faz parte do processo e costuma dizer algo. A psicóloga pode esperar, perguntar ou comentar o silêncio, conforme o momento.

Preciso contar tudo para a psicóloga?

Você vai no seu ritmo. Mas o que é difícil de dizer costuma ser o que mais ajuda, e anunciar a dificuldade, como “tenho vergonha de falar disso”, já é um começo.

Posso falar mal da terapia na terapia?

Pode, e deve. Dizer que algo incomodou ou que você sente que não está avançando permite ajustar o trabalho.

Posso levar anotações para a sessão?

Pode. Uma nota com um sonho, uma situação ou uma pergunta ajuda quem costuma esquecer. Preparar a sessão é opcional.

E se eu tiver pensamentos de morte?

Diga à psicóloga. Falar sobre isso é o primeiro passo para receber ajuda, e em risco imediato procure um serviço de emergência, o SAMU pelo 192 ou o CVV pelo 188.

Avaliação inicial online

Você pode chegar sem saber o que dizer, com uma lista de assuntos ou só com a vontade de conversar. Na consulta inicial, começamos de onde você estiver e decidimos juntos o próximo passo.

  1. Você manda uma mensagem pelo WhatsApp, pelo botão abaixo. A mensagem já vem pronta.
  2. Minha secretária responde, em horário comercial, explica valores e horários e agenda a sua consulta.
  3. Na primeira conversa, vamos entender o que está acontecendo e se o atendimento online é o caminho mais adequado para você. Se não for, eu indico o encaminhamento certo.
WhatsApp da secretária+55 (71) 93300-9686Agendar consulta inicial (abre o WhatsApp em nova guia)

Este conteúdo é informativo e foi escrito por uma psicóloga para ajudar você a compreender o que está vivendo. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou procure atendimento de emergência.

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