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Abordagens da psicoterapia: o que as diferencia

Abordagens da psicoterapia: TCC, psicanálise, junguiana, humanista e sistêmica, como é a sessão em cada uma, o que a pesquisa mostra e como escolher.

Numa cafeteria, um rapaz pesquisa no notebook o perfil de uma psicóloga e compara, num caderno, uma pequena lista em que circulou um item.

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Neste artigo
  1. O que é uma abordagem, na prática?
  2. Terapias cognitivo-comportamentais
  3. Psicanálise e terapias psicodinâmicas
  4. Psicologia analítica, a abordagem junguiana
  5. Abordagens humanistas e existenciais
  6. Terapias sistêmicas, de família e de casal
  7. Outras que você pode encontrar
  8. Uma dificuldade, cinco olhares
  9. Qual abordagem funciona melhor?
  10. Como escolher a sua
  11. Base científica e o que merece cautela
  12. As abordagens funcionam no atendimento online?
  13. Posso mudar de abordagem?
  14. Um exemplo fictício
  15. Perguntas frequentes
  16. Avaliação inicial online
  17. Fontes

TCC, psicanálise, junguiana, humanista, sistêmica. Quem procura terapia encontra esses nomes nos perfis das psicólogas e muitas vezes não sabe o que eles mudam na prática. Dá para entender o essencial sem virar estudante de psicologia.

Em resumo

Abordagens são formas diferentes de entender o sofrimento e de conduzir a terapia. As terapias cognitivo-comportamentais trabalham pensamentos e comportamentos do presente, com tarefas; a psicanálise e as psicodinâmicas, a história e o que se repete; a junguiana, o sentido e os símbolos; as humanistas, a experiência e o crescimento; as sistêmicas, as relações da família e do casal. Em depressão, as abordagens bem estabelecidas têm resultados próximos. Alguns quadros pedem tratamentos específicos.

Cada abordagem é uma combinação de teoria, sobre como o sofrimento se forma e se mantém, e de método, sobre o que fazer na sessão para que ele mude. A mesma dificuldade pode ser vista de ângulos diferentes, e cada ângulo leva a um jeito diferente de trabalhar.

Os outros critérios para escolher a profissional estão em como escolher uma psicóloga. Aqui o foco é a abordagem: o que cada uma propõe, como é a sessão, o que a pesquisa mostra e como decidir.

O que é uma abordagem, na prática?

É o que orienta as perguntas da psicóloga, o que ela observa, o que propõe e o que considera progresso.

Numa abordagem, a pergunta central pode ser “que pensamentos e comportamentos mantêm esse problema hoje?”. Em outra, “o que da sua história se repete nessa situação?”. Em outra ainda, “o que esse sofrimento está pedindo que mude na sua vida?”. As três perguntas são legítimas. Elas levam a sessões com ritmos, tarefas e durações diferentes.

Por isso, conhecer o básico ajuda a saber o que esperar e a perceber se aquele jeito combina com você.

Terapias cognitivo-comportamentais

A terapia cognitivo-comportamental, a TCC, parte da ideia de que pensamentos, emoções, sensações e comportamentos se influenciam, e de que certos padrões mantêm o sofrimento. O trabalho é identificar esses padrões e experimentar formas novas de pensar e agir.

Como é a sessão. Estruturada, com agenda combinada, revisão das tarefas da semana e objetivos claros. É comum usar registros, exercícios e, em quadros de ansiedade, a exposição gradual ao que é temido.

Duração. Muitas vezes mais delimitada, com um número aproximado de sessões combinado no início e revisto ao longo do caminho.

A família das terapias comportamentais inclui também a análise do comportamento, muito presente no Brasil, e as terapias chamadas de terceira onda, como a terapia de aceitação e compromisso, que trabalha a relação com os pensamentos e os valores, e a terapia comportamental dialética, desenvolvida para a desregulação emocional intensa.

As terapias cognitivo-comportamentais são as mais estudadas em ensaios clínicos, e por isso aparecem com destaque nas diretrizes de tratamento de muitos quadros.

Psicanálise e terapias psicodinâmicas

A psicanálise, criada por Freud, parte da ideia de que parte do que sentimos e fazemos é movida por conteúdos que escapam à consciência, formados ao longo da história de vida. O trabalho é dar espaço para que esses conteúdos apareçam na fala e ganhem sentido.

Como é a sessão. Mais livre. A pessoa fala do que vier, e a psicanalista escuta o que se repete, o que aparece nas entrelinhas e o que acontece na própria relação terapêutica. Tarefas entre as sessões são raras.

Duração. Em geral mais longa e aberta, sem prazo definido no início.

As terapias psicodinâmicas derivam da psicanálise e costumam ser mais focadas, às vezes com duração combinada. Elas trabalham a história, os padrões de relação e as emoções evitadas, com o terapeuta mais ativo.

Psicologia analítica, a abordagem junguiana

A psicologia analítica foi criada por Carl Gustav Jung, e é a abordagem com que trabalho. Ela se interessa pelo sentido das experiências, pelos símbolos que aparecem nos sonhos, nas imagens e nas histórias pessoais, e pelo processo de desenvolvimento que acompanha a vida inteira, que Jung chamou de individuação.

Como é a sessão. Uma conversa em que o que você vive hoje é olhado também como mensagem: além de perguntar por que algo acontece, pergunta-se para onde aquilo aponta na sua vida. Sonhos, imagens e histórias que se repetem entram quando fazem sentido para o trabalho, e não como obrigação.

Duração. Variável, conforme os objetivos, com revisões ao longo do caminho.

As pesquisas sobre a abordagem junguiana são, em sua maioria, estudos naturalísticos, que acompanham pessoas em tratamento na vida real, sem sorteio entre grupos. Uma revisão de Roesler, de 2013, reuniu estudos feitos sobretudo na Alemanha e na Suíça e descreveu melhora dos sintomas, dos problemas nas relações e do modo de funcionar, estável por até seis anos depois do fim da terapia. No meu trabalho, essa escuta caminha junto com uma base sólida em psicopatologia, para reconhecer quando um quadro pede também outro tipo de cuidado.

Abordagens humanistas e existenciais

As abordagens humanistas, como a terapia centrada na pessoa, criada por Carl Rogers, e a Gestalt-terapia, partem da ideia de que cada pessoa tem uma tendência ao crescimento, que o sofrimento pode bloquear. O trabalho privilegia a experiência presente, a empatia, a aceitação e a autenticidade na relação.

Como é a sessão. Centrada no que você sente e percebe agora, com uma terapeuta que acompanha mais do que dirige. Na Gestalt, podem aparecer experimentos na própria sessão, como dar voz a partes em conflito.

As abordagens existenciais trabalham as grandes questões da vida, como liberdade, escolha, sentido, finitude, e como elas aparecem no sofrimento de cada um.

Terapias sistêmicas, de família e de casal

As abordagens sistêmicas olham para o sofrimento como parte de um sistema de relações. Em vez de localizar o problema numa pessoa, observam os padrões de comunicação, os papéis e as regras da família ou do casal.

Como é a sessão. Muitas vezes com mais de uma pessoa presente: o casal, pais e filhos, a família. O foco está no que acontece entre as pessoas.

Elas costumam ser indicadas para conflitos de casal, dificuldades na criação dos filhos, crises familiares e situações em que o sofrimento de um membro está ligado ao funcionamento do grupo.

Outras que você pode encontrar

Alguns nomes aparecem com frequência nos perfis:

  • terapia interpessoal, focada nas relações e nas transições de vida, estudada sobretudo em depressão;
  • EMDR, que usa estímulos bilaterais durante o processamento de memórias traumáticas, estudada no estresse pós-traumático;
  • terapia do esquema, que integra elementos cognitivos, psicodinâmicos e de apego para trabalhar padrões antigos;
  • terapias baseadas em mentalização, que trabalham a capacidade de compreender os próprios estados mentais e os dos outros;
  • abordagens integrativas, que combinam recursos de mais de uma tradição de forma planejada.

Uma dificuldade, cinco olhares

Um exemplo ajuda a ver a diferença. Imagine uma pessoa que trava antes de apresentações no trabalho, com coração disparado e vontade de faltar.

AbordagemO que olhaUm exemplo do que pode acontecer
Cognitivo-comportamentalPensamentos sobre falhar, evitação que mantém o medoIdentificar previsões catastróficas e planejar exposições graduais, de falar numa reunião pequena até a apresentação
Psicanalítica ou psicodinâmicaO que o medo de ser visto repete da históriaExplorar lembranças de exposição e crítica e como elas aparecem nas relações atuais
JunguianaO sentido do bloqueio e as imagens ligadas a eleTrabalhar um sonho recorrente de chegar sem preparo a uma prova e o que ele diz sobre a fase de vida
HumanistaA experiência presente e a relação consigoAcolher o medo, reconhecer necessidades e ampliar a aceitação de si
SistêmicaO papel da pessoa nas relaçõesObservar expectativas familiares sobre desempenho e como elas circulam

A tabela simplifica tradições ricas. Na prática, muitas profissionais combinam recursos, e o caminho depende da pessoa e do que ela busca.

Qual abordagem funciona melhor?

Para muitas dificuldades, as abordagens bem estabelecidas têm resultados próximos. Uma meta-análise em rede de Barth e colegas, de 2013, reuniu 198 estudos com mais de 15 mil adultos com depressão e comparou sete intervenções, entre elas a TCC, a terapia interpessoal, a ativação comportamental e a terapia psicodinâmica. Todas tiveram efeitos moderados a grandes em relação à lista de espera, e as diferenças entre elas foram pequenas ou ausentes.

Dois fatores atravessam as abordagens. O primeiro é a relação terapêutica: uma meta-análise de Flückiger e colegas, com 295 estudos, mostrou associação consistente entre a qualidade dessa relação e o resultado. O segundo é a sua preferência: pessoas atendidas do jeito que preferem abandonam menos o tratamento, segundo uma meta-análise de Swift e colegas.

Alguns quadros, porém, têm tratamentos com evidência mais específica:

  • fobias e transtorno obsessivo-compulsivo, em que a exposição gradual ao que é temido, com prevenção dos rituais no TOC, é central;
  • estresse pós-traumático, em que as diretrizes, como a do NICE, recomendam terapias focadas no trauma, como a TCC focada no trauma e o EMDR;
  • desregulação emocional intensa com autolesão, em que terapias estruturadas, como a comportamental dialética, têm respaldo.

Nesses casos, vale perguntar se a profissional trabalha com esse tipo de intervenção, ou se indicaria alguém que trabalhe.

Como escolher a sua

Algumas perguntas ajudam:

  1. Você prefere estrutura ou exploração? Quem gosta de objetivos claros, tarefas e acompanhamento de progresso tende a se sentir em casa nas terapias cognitivo-comportamentais. Quem quer entender a própria história e o sentido do que vive pode preferir as psicodinâmicas, a junguiana ou as humanistas.
  2. O que você busca? Aliviar um sintoma específico, entender padrões que se repetem, atravessar uma fase de vida, melhorar as relações da família?
  3. O seu quadro tem tratamento com evidência específica? Se tem, pergunte por ele.
  4. Como você se sente com o jeito da profissional? Mais do que o nome da abordagem, importa entender como ela trabalha e sentir que você consegue falar.

Na consulta inicial, você pode perguntar diretamente: “como você trabalha?”, “o que costuma acontecer nas sessões?”, “como vamos saber se está funcionando?”. Como a terapia funciona em geral está em como funciona a terapia, e a duração, em quanto tempo dura a terapia.

Base científica e o que merece cautela

A Resolução CFP 13/2022 estabelece diretrizes para a psicoterapia feita por psicólogas e psicólogos, com fundamentação científica e compromisso ético. As abordagens descritas aqui têm tradição teórica, formação estruturada e pesquisa, em graus diferentes.

Merecem cautela práticas que prometem cura rápida ou garantida, que se apoiam em explicações impossíveis de verificar, que dispensam a avaliação do que você está vivendo ou que são oferecidas por pessoas sem registro profissional. O nome “terapia” no perfil não garante formação: confira o registro no Conselho Regional de Psicologia.

As abordagens funcionam no atendimento online?

Todas as abordagens descritas aqui são praticadas online. A maior parte das pesquisas sobre terapia por vídeo envolve terapias cognitivo-comportamentais, mas a relação terapêutica, que atravessa todas as abordagens, se forma bem pela tela, como descrevo em terapia online funciona?.

Algumas adaptações são comuns. Nas terapias de família e de casal, cada pessoa pode participar de um aparelho, ou todas de um mesmo ambiente. Exposições combinadas na sessão podem ser feitas no próprio lugar em que a dificuldade aparece. E, na abordagem junguiana, sonhos e imagens podem ser compartilhados por escrito ou mostrados na câmera, quando fizer sentido.

Se a dúvida for sobre quem procurar primeiro, psicóloga ou médico, o caminho está em psicólogo ou psiquiatra.

Posso mudar de abordagem?

Pode. Às vezes a pessoa começa numa abordagem e percebe, depois de algumas sessões, que precisa de outro ritmo ou de outro foco. O caminho mais útil é conversar sobre isso na própria sessão: a profissional pode ajustar o trabalho ou indicar uma colega de outra abordagem.

Também é comum que o que você procura mude ao longo da vida. A abordagem que serviu num momento de crise pode dar lugar, anos depois, a outra que responda a novas perguntas.

Um exemplo fictício

Helena é uma personagem criada para este artigo.

Caso fictício

Helena, 33 anos: “eu não sabia que existiam tantas”

Helena decidiu fazer terapia depois de uma separação. Pesquisou perfis de psicólogas e ficou confusa com os nomes. Anotou o que buscava: entender por que escolhia sempre parceiros parecidos, sem pressa de resolver tudo em poucas semanas.

Na consulta inicial com uma psicóloga de abordagem psicodinâmica, perguntou como seria o trabalho. Gostou da ideia de olhar para a própria história. Meses depois, quando as crises de ansiedade antes de reuniões começaram a atrapalhar o trabalho, as duas conversaram sobre isso. A psicóloga passou a incluir estratégias para lidar com a ansiedade e explicou em que situação valeria a pena buscar, em paralelo, um trabalho específico de exposição gradual.

Vinheta criada para fins didáticos. Não descreve nenhuma pessoa real.

Quando procurar ajuda

Procure terapia quando uma dificuldade causa sofrimento, atrapalha a rotina ou as relações, ou quando você quer entender padrões que se repetem. A escolha da abordagem pode ser feita com calma, mas começar costuma ser mais importante do que acertar de primeira. Em risco imediato à sua segurança, procure um serviço de emergência ou o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.

Na prática clínica

Trabalho com a abordagem junguiana, com uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Na consulta inicial, explico como isso aparece nas sessões e respondo às suas perguntas.

Quando o seu quadro tem um tratamento com evidência específica, como a exposição no TOC ou as terapias focadas no trauma, digo com clareza e conversamos sobre o melhor caminho, inclusive a indicação de outra profissional.

E, ao longo do acompanhamento, pergunto como o jeito de trabalhar está funcionando para você. Se algo não faz sentido, ajustamos.

Como eu posso ajudar · Psicoterapia online

Se você quer uma terapia que olhe para o sentido do que você vive, sem perder de vista o cuidado clínico, posso ajudar. Atendo adolescentes e adultos em psicoterapia online, no Brasil e no exterior, com a abordagem junguiana e uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Também realizo terapia de sessão única e avaliação psicológica diagnóstica, inteiramente online.

Sou psicóloga há 18 anos e trabalho no serviço público de saúde. Na consulta inicial, você me conta o que está vivendo, eu explico como trabalho e avaliamos juntos se faz sentido seguir. Conheça minha trajetória na página sobre mim.

Perguntas frequentes

Quais são as principais abordagens da psicoterapia?

As terapias cognitivo-comportamentais, a psicanálise e as terapias psicodinâmicas, a psicologia analítica junguiana, as abordagens humanistas e existenciais e as terapias sistêmicas, de família e de casal.

Qual a melhor abordagem de terapia?

Para muitas dificuldades, as abordagens bem estabelecidas têm resultados próximos. A relação com a profissional e a sua preferência pesam muito. Alguns quadros, como fobias, TOC e estresse pós-traumático, têm tratamentos com evidência específica.

Qual a diferença entre TCC e psicanálise?

A TCC trabalha pensamentos e comportamentos do presente, com sessões estruturadas e tarefas. A psicanálise dá espaço à fala livre e à história, com duração mais aberta.

O que é a terapia junguiana?

É a psicologia analítica, criada por Carl Gustav Jung. Ela se interessa pelo sentido das experiências, pelos símbolos dos sonhos e das imagens e pelo desenvolvimento ao longo da vida.

Preciso escolher a abordagem antes de começar?

É opcional. Vale conhecer o básico e perguntar à profissional como ela trabalha na consulta inicial.

Posso mudar de abordagem durante a terapia?

Pode. Converse sobre isso na sessão: a profissional pode ajustar o trabalho ou indicar uma colega de outra abordagem.

Avaliação inicial online

Se você ainda não sabe qual abordagem combina com você, a consulta inicial é um bom lugar para descobrir: conhecer o meu jeito de trabalhar, fazer perguntas e decidir juntos o próximo passo.

  1. Você manda uma mensagem pelo WhatsApp, pelo botão abaixo. A mensagem já vem pronta.
  2. Minha secretária responde, em horário comercial, explica valores e horários e agenda a sua consulta.
  3. Na primeira conversa, vamos entender o que está acontecendo e se o atendimento online é o caminho mais adequado para você. Se não for, eu indico o encaminhamento certo.
WhatsApp da secretária+55 (71) 93300-9686Agendar consulta inicial (abre o WhatsApp em nova guia)

Fontes

Helena é uma personagem fictícia. A tabela e as listas foram elaboradas com finalidade didática.

Este conteúdo é informativo e foi escrito por uma psicóloga para ajudar você a compreender o que está vivendo. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou procure atendimento de emergência.

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