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Como escolher uma psicóloga: formação, abordagem e confiança

Como escolher psicólogo: conferir o CRP, psicóloga ou psiquiatra, abordagem, experiência, perguntas para a primeira consulta e sinais de alerta.

Em casa, uma mulher conversa por vídeo com um psicólogo e marca, num bloco de anotações, as perguntas que preparou para a primeira conversa.

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Neste artigo
  1. O que mais pesa na escolha?
  2. Primeiro passo: confirmar que é psicóloga
  3. Psicóloga ou psiquiatra?
  4. Formação e experiência: o que olhar além do diploma
  5. Preciso escolher a abordagem antes?
  6. O atendimento online amplia a escolha
  7. Valores, frequência e plano de saúde
  8. Indicações, redes sociais e plataformas
  9. Perguntas para fazer na consulta inicial
  10. Sinais de alerta
  11. As primeiras sessões: como saber se combinou?
  12. Se não combinar, trocar é permitido
  13. Um exemplo fictício
  14. Perguntas frequentes
  15. Avaliação inicial online
  16. Fontes

Decidir fazer terapia já dá trabalho. Depois vem outra dúvida: entre tantos perfis, sites e indicações, com quem começar? Dá para escolher com critério, sem precisar acertar de primeira.

Em resumo

Comece pelo básico: nome completo e registro ativo no Conselho Regional de Psicologia, conferidos no Cadastro Nacional de Psicólogos. Depois, veja se a experiência dela combina com o que você está vivendo, entenda como ela trabalha e esclareça valores, frequência e combinados. O fator que mais pesa no resultado é a relação: nas primeiras sessões, observe se você consegue falar com liberdade e se entende para onde o trabalho vai. Se não combinar, trocar é permitido.

Escolher uma psicóloga tem algo de escolher qualquer serviço de saúde, com conferência de registro, experiência e condições, e algo de muito pessoal, porque a terapia depende de uma relação. Este guia organiza as duas partes, na ordem em que elas costumam aparecer.

O panorama sobre o atendimento pela tela está no pilar de terapia online. Aqui o foco é a escolha da profissional, valha ela para o online ou para o presencial.

O que mais pesa na escolha?

A pesquisa em psicoterapia ajuda a colocar cada fator no seu lugar.

A relação. A qualidade da relação entre a pessoa atendida e a terapeuta está entre os fatores mais ligados ao resultado. Uma meta-análise de Flückiger e colegas, com 295 estudos e mais de 30 mil pacientes, encontrou essa associação de forma consistente, em diferentes abordagens e formatos.

A profissional. Terapeutas diferentes obtêm resultados diferentes, mesmo usando a mesma abordagem. Uma revisão de Johns e colegas, de 2019, estimou que a diferença entre terapeutas responde, em média, por cerca de 5% da variação dos resultados em atendimentos da vida real, e que esse peso cresce quando os quadros são mais graves.

A sua preferência. Pessoas atendidas do jeito que preferem, seja no tipo de terapia, no formato ou no estilo da profissional, abandonam menos o tratamento e têm resultados um pouco melhores, segundo uma meta-análise de Swift e colegas, de 2018, com 53 estudos.

Na prática, isso quer dizer que o registro, a formação e a experiência são o filtro de entrada, e que a decisão final se confirma nas primeiras sessões, na relação.

Primeiro passo: confirmar que é psicóloga

Psicóloga é um título protegido. Só pode usar quem se formou em Psicologia e tem inscrição ativa no Conselho Regional de Psicologia (CRP) da sua região. O número aparece como CRP, seguido do número da região e do número de inscrição: o meu, por exemplo, é CRP 03/3592.

Para conferir, basta procurar o nome no Cadastro Nacional de Psicólogos, mantido pelo Conselho Federal de Psicologia. A consulta é pública e gratuita, e mostra se a inscrição está ativa. O passo a passo, com a leitura do número e as regras do atendimento online, está em como verificar o CRP.

A palavra “terapeuta”, sozinha, é outra história. Ela pode designar psicólogas e médicos, mas também pessoas com formações curtas ou sem formação em saúde. A Resolução CFP 13/2022 estabelece diretrizes para a psicoterapia feita por psicólogas e psicólogos, com base científica e compromisso ético, e foi publicada num contexto de aumento de pessoas que se apresentam como psicoterapeutas sem essa formação. Se o perfil fala em terapia, procure o CRP.

Psicóloga ou psiquiatra?

As duas profissões cuidam da saúde mental, com papéis diferentes.

A psicóloga tem graduação em Psicologia. Faz psicoterapia, avaliação psicológica e outros acompanhamentos, e não prescreve medicamentos.

A psiquiatra é médica, com formação em psiquiatria depois da graduação em Medicina. Faz o diagnóstico médico, avalia e prescreve medicamentos e acompanha o tratamento. Algumas também fazem psicoterapia.

Em muitos casos, os dois cuidados caminham juntos. Algumas situações pedem que a avaliação médica venha primeiro, ou ao mesmo tempo:

  • pensamentos de morte ou de se machucar;
  • percepções ou crenças muito diferentes das habituais, como ouvir vozes ou ter a sensação de perseguição;
  • períodos de euforia, aceleração e pouca necessidade de sono;
  • depressão que impede de sair da cama, comer ou trabalhar;
  • uso de álcool ou de outras substâncias com sinais de abstinência;
  • sintomas físicos que ainda não foram investigados.

Fora dessas situações, começar pela psicoterapia é um caminho comum. Se a psicóloga perceber que um tratamento médico pode ajudar, ela indica a avaliação. O tema completo está em psicólogo ou psiquiatra.

Formação e experiência: o que olhar além do diploma

O diploma e o registro garantem a formação básica. O que diferencia uma profissional da outra vem depois.

A formação continuada. Cursos de aprofundamento, estudos na abordagem com que trabalha, supervisão de casos. Uma boa profissional segue estudando ao longo de toda a carreira.

A experiência com o que você está vivendo. Quem atende sobretudo crianças pode ter menos prática com questões de trabalho de adultos, e vice-versa. Vale perguntar se ela atende a sua faixa etária e se já trabalhou com demandas parecidas com a sua, como ansiedade, luto, questões de relacionamento ou dificuldades de atenção.

A base em psicopatologia. Ela ajuda a reconhecer quando uma dificuldade precisa de outros cuidados, como avaliação médica, avaliação psicológica diagnóstica ou encaminhamento para outro serviço.

A clareza sobre os limites. Uma boa profissional diz quando uma demanda está fora do que ela faz e indica quem pode ajudar.

Informações de formação costumam estar no site ou no perfil profissional. O que não estiver lá pode ser perguntado.

Preciso escolher a abordagem antes?

É opcional, e muita gente começa sem saber o que é uma abordagem. Mas vale conhecer o básico, porque cada uma organiza o trabalho de um jeito.

Algumas focam em pensamentos e comportamentos do presente, com tarefas entre as sessões, como a terapia cognitivo-comportamental. Outras dão mais espaço à história de vida, ao que se repete nas relações e ao que não está consciente, como a psicanálise e as terapias psicodinâmicas. A psicologia analítica, de Carl Gustav Jung, com que trabalho, se interessa pelo sentido das experiências, pelos símbolos dos sonhos e das imagens e pelo desenvolvimento ao longo da vida. Há ainda abordagens humanistas, sistêmicas, que trabalham com a família e o casal, e outras.

Para muitas dificuldades, as abordagens bem estabelecidas têm resultados próximos entre si. Alguns quadros, porém, têm tratamentos com evidência mais específica, como a exposição gradual nas fobias e no transtorno obsessivo-compulsivo e as terapias focadas no trauma no estresse pós-traumático. Nesses casos, vale perguntar se a profissional trabalha com esse tipo de intervenção ou se indicaria alguém.

Mais importante do que o nome da abordagem é você entender como a profissional trabalha e sentir que o jeito dela faz sentido para você. As principais abordagens, com o que muda na sessão, estão em abordagens da psicoterapia, e o funcionamento geral da terapia, em como funciona a terapia.

O atendimento online amplia a escolha

Com a terapia online, a escolha deixa de depender da cidade onde você mora. Você pode procurar uma profissional pela experiência, pela abordagem e pelo jeito de trabalhar, e não só pela distância. Para quem mora fora do Brasil, é também a chance de fazer terapia em português.

As pesquisas mostram resultados semelhantes entre o online e o presencial para a maior parte das demandas, como descrevo em terapia online funciona?. A decisão entre os formatos está em terapia online ou presencial, e o cuidado com a privacidade, em sigilo na terapia online.

Valores, frequência e plano de saúde

As condições precisam ficar claras antes de começar: valor da sessão, forma de pagamento, frequência, duração de cada encontro, política de cancelamento e remarcação, canal de contato entre as sessões.

Sobre a frequência, o ritmo semanal é comum no início, e a decisão é discutida em terapia semanal ou quinzenal. Sobre a duração do processo, os fatores estão em quanto tempo dura a terapia.

Se você pensa em usar o plano de saúde, vale saber que, desde agosto de 2022, a ANS acabou com o limite anual de sessões com psicólogos nos planos, conforme a indicação do médico assistente. A cobertura vale na rede do plano. O reembolso de atendimentos particulares depende do contrato, e vale confirmar com a operadora antes de começar.

Indicações, redes sociais e plataformas

Muita gente chega à psicóloga por indicação, por um perfil nas redes ou por uma plataforma de atendimento. Os três caminhos funcionam, cada um com seus cuidados.

Indicação. A recomendação de alguém de confiança é um bom ponto de partida, desde que você confira o registro e lembre que o encaixe é pessoal: a profissional que ajudou uma amiga pode ter um jeito que combina menos com você. Algumas psicólogas preferem evitar atender pessoas muito próximas de quem já atendem, para proteger os dois processos. Nesse caso, ela pode indicar colegas.

Redes sociais. O conteúdo publicado mostra o estilo, os temas e a forma de explicar. O número de seguidores diz pouco sobre a qualidade do atendimento. O que importa continua sendo o registro, a experiência e a clareza sobre como ela trabalha.

Plataformas. Confira se a plataforma mostra o nome completo e o CRP de cada profissional, quem define as condições do atendimento e como os seus dados são guardados.

Perguntas para fazer na consulta inicial

Perguntar não é desconfiança: é contratar um serviço de saúde com informação. Algumas perguntas úteis:

  1. Você atende pessoas com a minha idade e com o que estou vivendo?
  2. Como você trabalha? O que costuma acontecer nas sessões?
  3. Como vamos definir os objetivos e acompanhar se estou melhorando?
  4. Com que frequência seriam as sessões, e por quanto tempo, em média?
  5. Qual é o valor, e como funcionam faltas e remarcações?
  6. Como posso falar com você entre as sessões, se precisar?
  7. O que acontece numa situação de urgência?
  8. Se você achar que outro profissional pode me ajudar mais, você me indica?

Uma boa profissional responde com clareza e sem desconforto. O que esperar desse primeiro encontro está em primeira consulta com psicóloga.

Sinais de alerta

Alguns sinais pedem cautela, em qualquer formato:

  • o nome completo e o número do CRP ficam escondidos, ou o registro não aparece no Cadastro Nacional;
  • há promessa de cura, de resultado em prazo fixo ou de método infalível, algo que o Código de Ética proíbe;
  • o preço vem com pressão: pacote que vence hoje, desconto que some se você não fechar agora;
  • a profissional tenta impor as próprias crenças religiosas, políticas ou morais, o que o Código de Ética também veda;
  • a relação sai do lugar profissional, com convites pessoais, negócios em comum, intimidade ou contato romântico;
  • o que você conta aparece em outros lugares, como redes sociais ou conversas com terceiros, sem a sua autorização;
  • suas dúvidas são tratadas como resistência, e perguntar sobre o processo vira motivo de crítica.

Diante de uma infração ética, é possível procurar o Conselho Regional de Psicologia da região da profissional.

As primeiras sessões: como saber se combinou?

A primeira impressão conta, mas o encaixe se confirma com algumas sessões. Nas primeiras semanas, observe:

  • se você consegue falar com liberdade, inclusive sobre temas difíceis;
  • se percebe uma escuta atenta e sem julgamento;
  • se as perguntas e as explicações fazem sentido;
  • se você entende para onde o trabalho vai;
  • se consegue dizer quando algo incomoda.

Um desconforto inicial é normal. Falar de si com alguém novo costuma ser estranho no começo, e parte do trabalho é justamente atravessar essa estranheza. O sinal importante é outro: se, depois de algumas sessões, você continua sem conseguir falar ou sem entender o que está acontecendo, vale levar isso para a própria sessão.

Se não combinar, trocar é permitido

Algumas relações terapêuticas não dão certo, e isso é mais comum do que parece. Uma meta-análise de Swift e Greenberg, com 669 estudos, estimou que cerca de uma em cada cinco pessoas interrompe a terapia antes do combinado, muitas vezes sem conversar sobre o motivo.

O caminho mais útil é dizer. Uma conversa franca sobre o que não está funcionando às vezes resolve o problema, com um ajuste de ritmo, de foco ou de jeito. Quando não resolve, a própria profissional pode ajudar na transição e indicar colegas.

Trocar de psicóloga é um direito, e o caminho para decidir e encerrar está em não me identifiquei com o psicólogo. Você também pode pedir, se precisar, os documentos a que tem acesso, como relatórios, conforme descrito em documentos psicológicos para pacientes. Como encerrar bem um processo está em alta na terapia.

Um exemplo fictício

Carla é uma personagem criada para este artigo.

Caso fictício

Carla, 42 anos: “eu não sabia nem por onde começar”

Carla decidiu fazer terapia depois de meses dormindo mal por causa do trabalho. Uma colega indicou um perfil com muitos seguidores, que falava em “terapia integrativa” e oferecia um pacote com desconto até o fim da semana. Ela procurou o nome no Cadastro Nacional e não encontrou registro.

Então anotou o que queria: alguém que atendesse adultos com ansiedade ligada ao trabalho, online, em horário depois das seis da tarde. Encontrou duas psicólogas com registro ativo e marcou consultas iniciais com as duas. Fez as mesmas perguntas nas duas conversas: como trabalhavam, como acompanhariam o progresso, o que fazer numa urgência.

Escolheu a segunda, com quem sentiu que conseguia falar mais à vontade. Na quarta sessão, disse que estava achando o ritmo rápido demais. A psicóloga agradeceu o retorno, e as duas ajustaram o plano.

Vinheta criada para fins didáticos. Não descreve nenhuma pessoa real.

Quando procurar ajuda

Procure uma psicóloga quando uma dificuldade causa sofrimento, atrapalha a rotina ou as relações, ou quando você quer entender padrões que se repetem. Em risco imediato à sua segurança, procure um serviço de emergência ou o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.

Na prática clínica

Meu nome completo e meu CRP estão no site, e você pode conferi-los no Cadastro Nacional de Psicólogos antes de marcar.

Na consulta inicial, explico como trabalho, com a abordagem junguiana e a base em psicopatologia, e respondo às suas perguntas sobre valores, frequência, contato e urgências.

E, se eu perceber que outro profissional ou outro tipo de cuidado pode ajudar você mais, digo com clareza e indico caminhos.

Como eu posso ajudar · Psicoterapia online

Se você está procurando uma psicóloga, posso ajudar. Atendo adolescentes e adultos em psicoterapia online, no Brasil e no exterior, com a abordagem junguiana e uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Também realizo terapia de sessão única e avaliação psicológica diagnóstica, inteiramente online.

Sou psicóloga há 18 anos e trabalho no serviço público de saúde. Na consulta inicial, você me conta o que está vivendo, eu explico como trabalho e avaliamos juntos se faz sentido seguir. Conheça minha trajetória na página sobre mim.

Perguntas frequentes

Como escolher um bom psicólogo?

Confira o registro ativo no CRP, veja se a experiência combina com a sua demanda, entenda como a profissional trabalha e esclareça as condições. Depois, observe nas primeiras sessões se você consegue falar com liberdade.

Como saber se a psicóloga tem registro?

Pelo Cadastro Nacional de Psicólogos, do Conselho Federal de Psicologia. A consulta é pública e mostra se a inscrição está ativa.

Preciso escolher a abordagem antes de começar?

É opcional. Vale conhecer o básico e perguntar como a profissional trabalha, porque o jeito dela precisa fazer sentido para você.

Devo procurar psicóloga ou psiquiatra?

Depende. Pensamentos de morte, euforia com pouca necessidade de sono, percepções muito diferentes das habituais ou sintomas físicos não investigados pedem avaliação médica. Nos outros casos, começar pela psicoterapia é um caminho comum.

Quantas sessões esperar para saber se combinou?

Algumas. Um desconforto inicial é normal, e o encaixe costuma ficar claro nas primeiras semanas. Se a dificuldade de falar continua, vale conversar sobre isso na sessão.

Posso trocar de psicóloga?

Pode. Trocar é um direito. Uma conversa franca sobre o que não está funcionando ajuda, e a profissional pode indicar colegas.

Avaliação inicial online

Você pode usar a consulta inicial justamente para decidir: conhecer o meu jeito de trabalhar, fazer as suas perguntas e sentir se consegue falar à vontade. A partir daí, decidimos juntos o próximo passo.

  1. Você manda uma mensagem pelo WhatsApp, pelo botão abaixo. A mensagem já vem pronta.
  2. Minha secretária responde, em horário comercial, explica valores e horários e agenda a sua consulta.
  3. Na primeira conversa, vamos entender o que está acontecendo e se o atendimento online é o caminho mais adequado para você. Se não for, eu indico o encaminhamento certo.
WhatsApp da secretária+55 (71) 93300-9686Agendar consulta inicial (abre o WhatsApp em nova guia)

Fontes

Carla é uma personagem fictícia. As listas foram elaboradas com finalidade didática.

Este conteúdo é informativo e foi escrito por uma psicóloga para ajudar você a compreender o que está vivendo. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou procure atendimento de emergência.

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