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Não me identifiquei com o psicólogo: e agora?

Não gostei do psicólogo: como separar o desconforto normal do desencontro, como falar disso na sessão, quando trocar e como encerrar com respeito.

Numa sessão formal, uma mulher de braços cruzados na beira da poltrona olha o relógio enquanto o psicólogo fala de trás de uma mesa grande.

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Neste artigo
  1. É normal não gostar da primeira sessão?
  2. Desconforto do processo ou desencontro?
  3. Fale sobre isso na própria sessão
  4. Quando o problema é a abordagem
  5. Quando trocar logo, sem esperar
  6. Como encerrar sem constrangimento
  7. Isso acontece com muita gente
  8. Como usar a experiência na próxima escolha
  9. Um exemplo fictício
  10. Perguntas frequentes
  11. Avaliação inicial online
  12. Fontes

Sair de uma sessão com a sensação de que algo ficou fora do lugar é mais comum do que parece. A terapia continua sendo para você, e ninguém errou por isso. Vale olhar para essa sensação com calma.

Em resumo

Primeiro, separe o desconforto que faz parte do processo, como falar de temas difíceis, do desencontro com a profissional, como sentir julgamento ou dificuldade de entender como ela trabalha. Depois, fale sobre isso na própria sessão: conversas sobre o que está difícil costumam fortalecer a relação. Se, mesmo assim, o encaixe faltar, trocar é um direito. Situações que ferem a ética pedem troca imediata. A experiência ajuda a escolher melhor a próxima.

Uma relação terapêutica é uma relação humana, e nem toda relação humana funciona. Ao mesmo tempo, a terapia costuma mexer em temas que incomodam, e parte desse incômodo é sinal de que o trabalho está acontecendo. O desafio é saber qual dos dois você está sentindo.

Os critérios para escolher uma profissional estão em como escolher uma psicóloga. Aqui o foco é o que fazer quando a escolha parece não ter dado certo.

É normal não gostar da primeira sessão?

É. A primeira sessão costuma ser estranha para muita gente: falar de si com alguém desconhecido, sem saber o que esperar, com o tempo marcado. Parte do desconforto vem da situação, mais do que da pessoa do outro lado.

Algumas sessões ajudam a separar as duas coisas. O jeito da profissional, o ritmo das conversas e a sensação de compreensão costumam ficar mais claros nas primeiras semanas. O que esperar do começo está em primeira consulta com psicóloga.

Desconforto do processo ou desencontro?

Algumas perguntas ajudam a distinguir.

Sinais de que o incômodo pode fazer parte do processo:

  • a sessão tocou em temas difíceis, e você saiu mexido ou mexida;
  • a psicóloga fez uma pergunta ou uma observação que você não queria ouvir, mas que faz algum sentido;
  • você sente vontade de faltar justamente quando o assunto fica mais importante;
  • o incômodo vem junto com a sensação de que a psicóloga leva a sério o que você conta.

Sinais de desencontro com a profissional:

  • você se sente julgado ou julgada, ou tem medo de contar certas coisas por causa da reação dela;
  • as explicações sobre como ela trabalha não ficam claras, mesmo depois de perguntar;
  • o estilo dela parece muito distante do que você procura, por exemplo, silêncio demais quando você quer direção, ou tarefas demais quando você quer espaço para falar;
  • você sente que ela não se lembra do que você conta, ou que a conversa gira em torno dela;
  • a sensação de não ser compreendido ou compreendida se repete sessão após sessão.

As duas listas podem se misturar. É justamente por isso que vale conversar.

Fale sobre isso na própria sessão

Pode parecer estranho dizer à psicóloga que algo está difícil na terapia. Para ela, é uma informação valiosa, e profissionais experientes esperam que isso aconteça.

As pesquisas mostram por quê. Uma meta-análise de Eubanks, Muran e Safran, de 2018, reuniu 11 estudos com mais de 1.300 pacientes e encontrou associação entre a resolução de tensões na relação terapêutica e melhores resultados. Momentos de desencontro que são conversados e resolvidos tendem a fortalecer a relação, em vez de enfraquecê-la.

Algumas formas de começar a conversa:

  • “Tenho sentido que as sessões não estão indo para onde eu esperava. Podemos conversar sobre isso?”
  • “Às vezes fico sem saber o que falar e sem direção. Você pode me ajudar a entender como funciona o seu jeito de trabalhar?”
  • “Quando você disse aquilo na semana passada, eu me senti julgada, e queria entender melhor o que você quis dizer.”
  • “Estou pensando se esta abordagem é a mais adequada para mim. O que você acha?”

A resposta da profissional também diz muito. Uma boa psicóloga escuta sem se defender, pergunta mais, explica o que pode mudar e, se for o caso, reconhece que outro caminho pode servir melhor. Se faltar assunto para começar as sessões, o texto sobre o que falar na terapia pode ajudar.

Quando o problema é a abordagem

Às vezes o desencontro não é com a pessoa, mas com o método. Quem procura objetivos claros e tarefas pode se frustrar com uma abordagem que dá mais espaço à fala livre. Quem quer entender a própria história pode achar o ritmo rápido demais numa abordagem muito estruturada.

Conhecer as diferenças ajuda a nomear o que não encaixou e a escolher melhor na próxima vez. Elas estão descritas em abordagens da psicoterapia.

Quando trocar logo, sem esperar

Algumas situações pedem que você encerre o atendimento sem precisar de novas tentativas:

  • quebra de sigilo, com o que você contou aparecendo em outros lugares sem a sua autorização;
  • promessa de cura ou de resultado em prazo fixo;
  • imposição de crenças religiosas, políticas ou morais;
  • preconceito em relação à sua orientação sexual, identidade de gênero, raça, religião ou classe social;
  • relação que sai do lugar profissional, com convites pessoais, negócios, intimidade ou contato romântico;
  • desrespeito ou humilhação durante as sessões.

O Código de Ética da profissão veda essas condutas. Nesses casos, além de encerrar, você pode apresentar uma representação ao conselho regional em que a profissional está inscrita. Como conferir o registro está em como verificar o CRP.

Como encerrar sem constrangimento

Encerrar uma terapia é um direito, e uma justificativa curta basta. Algumas orientações ajudam a fazer isso bem:

  1. Diga, se for possível. Uma mensagem ou uma última sessão para encerrar é mais respeitosa do que simplesmente sumir, e permite que a profissional contribua com a transição.
  2. Peça indicações. A profissional pode sugerir colegas de outra abordagem ou com mais experiência na sua demanda.
  3. Combine as pendências. Sessões marcadas, pagamentos e cancelamentos seguem o que foi combinado no início.
  4. Peça os documentos a que você tem direito, se precisar deles, como um relatório do acompanhamento. O tema está em documentos psicológicos para pacientes, com os tipos de documento e o que cada um informa.

Uma frase simples basta: “Decidi encerrar nosso acompanhamento. Agradeço pelo trabalho até aqui e queria saber se você pode me indicar outra profissional.” O encerramento planejado, quando os objetivos foram alcançados, é outra situação, discutida em alta na terapia.

Isso acontece com muita gente

Interromper a terapia antes do combinado é frequente. Uma meta-análise de Swift e Greenberg, com 669 estudos, estimou que cerca de uma em cada cinco pessoas interrompe o tratamento antes do fim, muitas vezes sem conversar sobre o motivo.

O que se perde, nesses casos, é a chance de ajustar o caminho e de levar o aprendizado para a próxima tentativa. Uma experiência que não deu certo costuma dizer muito sobre o que você procura.

Como usar a experiência na próxima escolha

Antes de procurar outra profissional, vale anotar:

  • o que não funcionou: o estilo, o ritmo, a abordagem, a forma de se comunicar;
  • o que funcionou, mesmo que pouco;
  • o que você quer de diferente agora.

Na consulta inicial com a nova profissional, você pode contar o que aconteceu e perguntar como ela trabalha. A relação terapêutica está entre os fatores mais ligados ao resultado da terapia, como mostrou uma meta-análise de Flückiger e colegas com 295 estudos. Procurar uma relação em que você se sinta à vontade é parte do cuidado com a sua saúde.

Um exemplo fictício

Bruno é um personagem criado para este artigo.

Caso fictício

Bruno, 31 anos: “eu saía das sessões sem saber o que tinha acontecido”

Bruno procurou terapia por causa de crises de ansiedade no trabalho. A psicóloga escutava muito e falava pouco, e ele saía das sessões sem saber para onde as conversas estavam indo. Depois de cinco encontros, pensou em simplesmente desmarcar.

Resolveu falar. Disse que sentia falta de direção e que queria ferramentas para lidar com as crises. A psicóloga agradeceu, explicou como trabalhava e disse que, pelo que ele buscava, uma abordagem mais estruturada poderia ajudar mais naquele momento. Indicou duas colegas. Bruno começou com uma delas e, meses depois, disse que a conversa franca da última sessão tinha sido o que o ajudou a escolher melhor.

Vinheta criada para fins didáticos. Não descreve nenhuma pessoa real.

Quando procurar ajuda

Se a terapia atual está travada, vale buscar outro acompanhamento em vez de desistir do cuidado. Procure ajuda quando uma dificuldade causa sofrimento, atrapalha a rotina ou as relações. Em risco imediato à sua segurança, procure um serviço de emergência ou o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.

Na prática clínica

Ao longo do acompanhamento, pergunto como o trabalho está sendo para você. Se algo incomoda, quero saber, porque é assim que ajustamos o caminho.

Quando percebo que outra abordagem ou outra profissional pode ajudar mais, digo com clareza e indico colegas.

E se você chega depois de uma experiência que deu errado, conversamos sobre o que aconteceu. Isso ajuda a entender o que você procura agora.

Como eu posso ajudar · Psicoterapia online

Se você quer recomeçar a terapia depois de uma experiência que não encaixou, posso ajudar. Atendo adolescentes e adultos em psicoterapia online, no Brasil e no exterior, com a abordagem junguiana e uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Também realizo terapia de sessão única e avaliação psicológica diagnóstica, inteiramente online.

Sou psicóloga há 18 anos e trabalho no serviço público de saúde. Na consulta inicial, você me conta o que está vivendo e o que não funcionou antes, eu explico como trabalho e avaliamos juntos se faz sentido seguir. Conheça minha trajetória na página sobre mim.

Perguntas frequentes

É normal não gostar do psicólogo?

É. O encaixe com a profissional pesa muito na terapia, e nem toda relação funciona. Algumas sessões ajudam a separar o desconforto do começo de um desencontro real.

Devo falar para a psicóloga que não estou gostando?

Vale a pena. Conversas sobre o que não está funcionando costumam fortalecer a relação, e a profissional pode ajustar o trabalho ou indicar outro caminho.

Quantas sessões esperar antes de trocar?

Algumas, em geral. Se, depois das primeiras semanas e de uma conversa franca, a sensação de desencontro continua, trocar é uma decisão razoável.

Posso trocar de psicólogo no meio do tratamento?

Pode. Trocar é um direito. Uma última conversa ajuda na transição e permite pedir indicações.

Como dizer que quero parar a terapia?

Uma frase simples basta, por mensagem ou na sessão: diga que decidiu encerrar, agradeça e, se quiser, peça indicações.

Quando devo trocar imediatamente?

Diante de quebra de sigilo, promessa de cura, imposição de crenças, preconceito, relação que sai do lugar profissional ou desrespeito.

Avaliação inicial online

Você pode trazer para a consulta inicial o que não funcionou antes. Conversamos sobre o que você está vivendo, sobre o que procura agora e decidimos juntos o próximo passo.

  1. Você manda uma mensagem pelo WhatsApp, pelo botão abaixo. A mensagem já vem pronta.
  2. Minha secretária responde, em horário comercial, explica valores e horários e agenda a sua consulta.
  3. Na primeira conversa, vamos entender o que está acontecendo e se o atendimento online é o caminho mais adequado para você. Se não for, eu indico o encaminhamento certo.
WhatsApp da secretária+55 (71) 93300-9686Agendar consulta inicial (abre o WhatsApp em nova guia)

Este conteúdo é informativo e foi escrito por uma psicóloga para ajudar você a compreender o que está vivendo. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou procure atendimento de emergência.

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