Como se preparar para uma sessão de terapia online
Sessão de terapia online: como preparar o lugar, o aparelho e a conexão, o que fazer se algo falhar, a transição e cuidados sem privacidade em casa.

Neste artigo
- O lugar: privacidade antes de tudo
- O aparelho e a conexão
- Quando algo dá errado
- Os minutos antes e depois
- E se eu não tiver privacidade em casa?
- Sessões no horário de trabalho
- O que ter por perto
- A câmera, a postura e o que aparece na tela
- Adolescentes e sessões online
- Quem mora fora do Brasil
- Um exemplo fictício
- Perguntas frequentes
- Avaliação inicial online
- Fontes
Uma sessão online começa um pouco antes do horário: no lugar que você escolhe, no aparelho que usa, nos minutos que reserva para chegar. Alguns cuidados simples fazem muita diferença no quanto você consegue falar com liberdade.
Para uma boa sessão de terapia online, escolha um lugar reservado, com a porta fechada e fones de ouvido; teste o aparelho, a bateria e a conexão alguns minutos antes; apoie a câmera numa superfície estável e silencie as notificações. Combine com a psicóloga o que fazer se a ligação cair. Reserve alguns minutos antes e depois para sair e voltar ao ritmo do dia. Sem privacidade em casa, vale buscar alternativas e conversar sobre elas.
No consultório, a sala, o silêncio e a porta fechada já estão prontos quando você chega. No online, parte desse cuidado passa para as suas mãos. A boa notícia é que ele é simples, e que, depois das primeiras semanas, vira hábito.
Se você ainda está decidindo o formato, veja terapia online ou presencial. O que a pesquisa mostra sobre o online está em terapia online funciona?.
O lugar: privacidade antes de tudo
O mais importante é poder falar sem que ninguém escute a conversa. Isso pesa mais do que a decoração, a iluminação ou a qualidade da câmera.
- Escolha um cômodo com porta, e feche-a durante a sessão.
- Combine com quem mora com você um horário de menos movimento e peça que ninguém entre.
- Use fones de ouvido. Eles protegem o que a psicóloga diz, mas lembre que a sua voz ainda pode ser ouvida do lado de fora.
- Prefira um lugar onde você possa se sentar com conforto e permanecer por uma hora.
- Evite lugares públicos, como cafés e salas de espera, onde outras pessoas podem ouvir ou ver a tela.
Se o barulho de fora incomoda, um ventilador ou um som ambiente perto da porta, do lado de fora, ajuda a abafar a conversa.
O aparelho e a conexão
Alguns minutos de preparo evitam boa parte dos problemas:
- Teste a videochamada antes, de preferência no mesmo aparelho e no mesmo lugar da sessão.
- Carregue a bateria ou deixe o aparelho na tomada.
- Apoie a câmera numa superfície estável, na altura dos olhos. Segurar o celular por uma hora cansa e tira a atenção.
- Prefira o computador, quando possível, por causa da tela maior e da estabilidade.
- Feche outros programas e pause downloads que disputam a internet.
- Tenha um plano B, como os dados móveis do celular, caso o wi-fi falhe.
- Silencie as notificações, para que mensagens não apareçam na tela nem interrompam a conversa.
Evite redes de wi-fi públicas e aparelhos compartilhados com outras pessoas da casa, sobretudo se ficarem com o histórico do aplicativo aberto. O que a psicóloga faz para proteger os seus dados está em privacidade e sigilo na terapia online.
Quando algo dá errado
Imprevistos acontecem, e combinar antes o que fazer tira a ansiedade do momento. Vale acertar com a psicóloga, logo no início:
- Se a ligação cair, quem liga de novo e por qual canal.
- Se a conexão ficar ruim, se vale desligar o vídeo e seguir só com áudio, ou migrar para uma ligação telefônica.
- Se alguém entrar no cômodo, como sinalizar e pausar a conversa.
- Se você se atrasar, como avisar.
O CRP-12 lembra que cabe ao profissional avaliar a viabilidade do atendimento online e combinar com a pessoa o que fazer quando a tecnologia falha. Perguntar sobre isso é parte do cuidado, e não desconfiança.
Os minutos antes e depois
No presencial, o caminho até o consultório funciona como transição: um tempo para sair da rotina e outro para digerir a conversa. No online, a sessão pode começar entre duas reuniões e terminar com a louça esperando. Vale criar essa transição.
Antes: reserve de cinco a dez minutos. Deixe água por perto e, se quiser, lenços. Respire, lembre do que gostaria de levar e desligue o resto.
Depois: evite marcar compromissos colados na sessão. Alguns minutos de silêncio, uma caminhada curta ou uma anotação ajudam a digerir o que foi conversado antes de voltar ao dia.
E se eu não tiver privacidade em casa?
Essa é uma das situações mais comuns, e merece ser dita à psicóloga. Algumas alternativas costumam ajudar:
- Mudar o horário para quando a casa estiver vazia.
- Usar outro espaço, como o carro estacionado num lugar seguro, uma sala reservada no trabalho ou a casa de alguém de confiança.
- Combinar sinais com a psicóloga para momentos em que alguém se aproxima.
- Usar o chat da plataforma para trechos mais delicados, quando falar em voz alta não for possível.
Nunca faça a sessão dirigindo. E, se alguém em casa controla o seu aparelho ou as suas conversas, vale conversar sobre um plano de segurança e, em alguns casos, sobre o atendimento presencial.
Sessões no horário de trabalho
Muitas pessoas encaixam a terapia no meio do expediente. Se for o seu caso, vale reservar uma sala fechada, avisar que terá um compromisso de uma hora sem dizer do que se trata e bloquear a agenda também para os minutos depois da sessão. Evite fazer a sessão na própria mesa, em escritório aberto, mesmo com fones: a atenção fica dividida e o risco de alguém ouvir é real.
O que ter por perto
Pequenos itens ajudam a sessão a correr sem interrupções: um copo de água, lenços, o carregador do aparelho e, se você gosta de anotar, papel e caneta. Deixar tudo à mão evita levantar no meio de uma conversa importante.
A câmera, a postura e o que aparece na tela
Algumas escolhas simples ajudam a conversa a fluir:
- Mantenha o rosto visível, com a luz vindo da frente, e não de trás.
- Deixe a câmera ligada, sempre que possível. A expressão facial comunica muito.
- Esconda a sua própria imagem, se ela distrair ou gerar desconforto; a maioria das plataformas permite.
- Vista-se de um jeito confortável. Não é preciso produção, mas estar de pijama na cama pode dificultar a sensação de estar numa sessão.
Adolescentes e sessões online
Para adolescentes, a privacidade em casa costuma ser o maior desafio. Vale que os responsáveis ajudem a garantir um cômodo reservado e o silêncio durante a sessão, sem ficar por perto. Os combinados sobre o que é compartilhado com a família são feitos no início, com a participação do adolescente.
Quem mora fora do Brasil
Para quem mora em outro país, dois cuidados a mais: combinar o horário considerando o fuso dos dois lados, inclusive nas mudanças de horário de verão, e ter à mão os contatos de emergência do país onde se vive, porque, numa crise, o atendimento de urgência precisa ser local.
Um exemplo fictício
A situação a seguir foi criada para este artigo.
A sessão no carro
Uma pessoa de 31 anos mora com a mãe e o irmão num apartamento pequeno e começa a terapia online. Nas primeiras sessões, fala baixo e escolhe as palavras com medo de ser ouvida. Na terceira, conta isso à psicóloga.
Juntas, combinam uma alternativa: no horário da sessão, ela desce até o carro, estacionado na garagem do prédio, com o celular apoiado no painel e os fones de ouvido. O carro vira o “consultório” dela. Nas semanas seguintes, ela passa a falar de assuntos que nunca tinha trazido.
Vinheta criada para fins didáticos. Não descreve nenhuma pessoa real.
Procure terapia quando uma dificuldade causa sofrimento, atrapalha a rotina ou as relações, ou quando você quer entender padrões que se repetem. O preparo para o online é combinado na consulta inicial. Em risco imediato à sua segurança, procure um serviço de emergência ou o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.
Na consulta inicial, conversamos sobre as condições do seu atendimento: onde você vai estar, se há privacidade, que aparelho e que conexão vai usar. Isso faz parte do cuidado, e ajustes podem ser feitos a qualquer momento.
Combinamos também o que fazer se a ligação cair e como agir diante de uma situação difícil entre as sessões, com os contatos de emergência da sua região.
E, se algo no formato estiver atrapalhando, como barulho, falta de privacidade ou cansaço com a tela, quero saber. Muitas vezes, a solução é simples.
Se você quer começar a terapia online, posso ajudar. Atendo adolescentes e adultos em psicoterapia online, no Brasil e no exterior, com a abordagem junguiana e uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Também realizo terapia de sessão única e avaliação psicológica diagnóstica, inteiramente online.
Sou psicóloga há 18 anos e trabalho no serviço público de saúde. Na consulta inicial, você me conta o que está vivendo, eu explico como trabalho e combinamos juntos as condições do atendimento. Conheça minha trajetória na página sobre mim.
Perguntas frequentes
Como me preparar para a terapia online?
Escolha um lugar reservado, com a porta fechada e fones de ouvido, teste o aparelho e a conexão antes e reserve alguns minutos antes e depois da sessão.
Posso fazer terapia online pelo celular?
Pode, com o aparelho apoiado numa superfície estável e a bateria carregada. O computador costuma ser mais confortável e estável.
O que fazer se a internet cair durante a sessão?
Seguir o que foi combinado com a psicóloga: em geral, tentar reconectar pelo mesmo canal ou seguir por áudio ou telefone.
Posso fazer a sessão no carro?
Pode, com o carro estacionado num lugar seguro. Nunca faça a sessão dirigindo.
Preciso deixar a câmera ligada?
Sempre que possível, sim, porque a expressão facial comunica muito. Se algo dificultar, converse com a psicóloga.
E se alguém entrar no cômodo durante a sessão?
Combine antes um sinal com a psicóloga para pausar a conversa. Se isso acontece com frequência, vale rever o horário ou o lugar.
Avaliação inicial online
Você pode chegar com dúvidas sobre o formato, sobre a privacidade em casa ou sobre a tecnologia. Na consulta inicial, conversamos sobre as condições do seu atendimento e decidimos juntos o próximo passo.
- Você manda uma mensagem pelo WhatsApp, pelo botão abaixo. A mensagem já vem pronta.
- Minha secretária responde, em horário comercial, explica valores e horários e agenda a sua consulta.
- Na primeira conversa, vamos entender o que está acontecendo e se o atendimento online é o caminho mais adequado para você. Se não for, eu indico o encaminhamento certo.
Fontes
O exemplo é fictício. As listas foram elaboradas com finalidade didática.
Este conteúdo é informativo e foi escrito por uma psicóloga para ajudar você a compreender o que está vivendo. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou procure atendimento de emergência.
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