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Medo ou vergonha de fazer terapia: como lidar

Medo de fazer terapia: os receios mais comuns, o que acontece de verdade em cada um, como funciona o sigilo e formas práticas de dar o primeiro passo.

Num corredor, um rapaz de mochila para diante da porta do consultório com a mão erguida para bater, hesitante, respirando fundo.

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Neste artigo
  1. Os medos mais comuns, e o que acontece de verdade
  2. De onde vem a vergonha?
  3. Formas práticas de dar o primeiro passo
  4. Quando o medo é da própria terapia
  5. Um exemplo fictício
  6. Perguntas frequentes
  7. Avaliação inicial online
  8. Fontes

Sentir medo ou vergonha antes de começar a terapia é muito comum. Falar de si para alguém desconhecido, sobre temas que às vezes você nunca contou a ninguém, pede coragem. O medo faz parte do caminho e pode ser levado para a própria sessão.

Em resumo

Os medos mais comuns são ser julgado, chorar, não saber o que falar, mexer em lembranças difíceis, que outras pessoas saibam, receber um diagnóstico e ficar dependente. Na prática, a psicóloga está ali para compreender, e não para julgar; o sigilo é um dever da profissão; o ritmo é combinado com você; e o próprio medo pode ser o primeiro assunto da conversa. Uma consulta inicial ajuda a começar sem compromisso longo.

O medo de fazer terapia tem nome na pesquisa: estigma. Uma revisão sistemática de Clement e colegas, com 144 estudos e mais de 90 mil participantes, encontrou o estigma entre as principais barreiras para buscar ajuda em saúde mental, em quarto lugar. As formas mais associadas à demora foram a vergonha de si mesmo por precisar de ajuda e o receio do que significa fazer tratamento, e o medo mais citado foi o de que outras pessoas soubessem.

Esses medos são compreensíveis e, em boa parte, se desfazem quando se entende como a terapia funciona. Os sinais de que é hora de procurar ajuda estão em quando procurar um psicólogo.

Os medos mais comuns, e o que acontece de verdade

“Vou ser julgado ou julgada.” A psicóloga está ali para compreender a sua experiência, e não para avaliar se você é uma boa ou uma má pessoa. O Código de Ética da profissão, inclusive, veda o preconceito e a imposição de valores pessoais. Se, em algum momento, você sentir julgamento, vale dizer: isso ajuda a ajustar a relação.

“Vou chorar na frente de uma estranha.” Chorar é frequente na terapia, e a psicóloga está acostumada a isso. Ninguém espera que você esconda ou controle as lágrimas. Muitas vezes, é depois de chorar que a conversa fica mais verdadeira.

“Não vou saber o que falar.” Você pode começar dizendo exatamente isso. Conduzir a conversa faz parte do trabalho da psicóloga, que pergunta e ajuda a encontrar o fio. O texto sobre o que falar na terapia traz um caminho.

“Vou ter que falar de coisas que prefiro esquecer.” O ritmo é combinado com você. Temas difíceis podem esperar até que exista confiança suficiente, e você pode dizer quando algo é demais naquele momento. A terapia se aproxima do que dói com cuidado, e não à força.

“Alguém vai ficar sabendo.” O sigilo é um dever da profissão, previsto no Código de Ética. O que você conta fica entre você e a psicóloga, com exceções raras e definidas, como risco grave à vida. No atendimento online, os cuidados com a privacidade estão em sigilo na terapia online.

“Vão achar que eu sou louco ou louca.” Fazer terapia é cuidar da saúde, como ir ao médico. Milhões de pessoas fazem terapia por motivos variados, muitas sem nenhum transtorno. E você decide com quem compartilha que está em terapia.

“Vou receber um diagnóstico.” A terapia pode incluir uma compreensão do que você está vivendo, às vezes com um nome, às vezes sem. Quando existe um diagnóstico, ele serve para orientar o cuidado, e é conversado com você. Ninguém recebe um rótulo sem explicação.

“Vou ficar dependente.” A terapia tem objetivos e caminha para a autonomia. O encerramento é discutido ao longo do processo, como descrevo em quanto tempo dura a terapia.

“E se não funcionar?” Às vezes o encaixe com a profissional falha, e trocar é um direito. O caminho está em não me identifiquei com o psicólogo.

De onde vem a vergonha?

Muitas vezes, a vergonha vem de ideias que aprendemos cedo: que precisar de ajuda é sinal de fraqueza, que problemas se resolvem sozinhos, que “roupa suja se lava em casa”. Essas ideias passam de geração em geração e pesam mais em algumas famílias e culturas.

Outras vezes, a vergonha vem do próprio conteúdo: algo que você fez, sentiu ou viveu e que parece grave demais para ser dito. Esse tipo de vergonha costuma diminuir justamente quando encontra um lugar seguro para ser falada.

Perceber de onde vem a vergonha ajuda a separar o que é uma avaliação real da situação e o que é uma regra antiga que talvez já não sirva.

Formas práticas de dar o primeiro passo

  1. Comece pela consulta inicial. Ela funciona como uma conversa de avaliação, sem compromisso de continuar. Você conhece a profissional, entende como ela trabalha e decide depois se quer continuar.
  2. Leve o medo para a sessão. Dizer “estou com vergonha de estar aqui” é um ótimo começo, e costuma aliviar.
  3. Escreva antes o que quer dizer. Uma lista curta ajuda quando a ansiedade apaga as ideias. Se preferir, leia em voz alta.
  4. Faça as perguntas que precisar. Sobre sigilo, sobre como ela trabalha, sobre o que acontece se você não quiser falar de algum tema.
  5. Considere o atendimento online. Falar do próprio quarto, sem sala de espera, reduz a barreira para muitas pessoas. Para quem tem ansiedade, o caminho está em terapia online para ansiedade.
  6. Combine consigo mesmo ou mesma um prazo. Duas ou três sessões antes de decidir se continua ajudam a atravessar o estranhamento do começo.

O que esperar do primeiro encontro está em primeira consulta com psicóloga.

Quando o medo é da própria terapia

Às vezes, o medo aparece justamente quando a terapia começa a funcionar: a vontade de faltar na semana em que o assunto ficou importante, a sensação de que “está tudo bem agora” logo depois de uma sessão difícil. Isso é comum e também pode ser conversado. Falar sobre a vontade de desistir costuma ser mais útil do que simplesmente desistir.

Um exemplo fictício

Lívia é uma personagem criada para este artigo.

Caso fictício

Lívia, 27 anos: “eu achava que ia ser julgada”

Lívia adiou a terapia por três anos. Tinha vergonha de contar sobre um relacionamento abusivo que viveu na faculdade e medo de que a psicóloga achasse que ela “deixou acontecer”. Escolheu o atendimento online porque não queria encontrar ninguém numa sala de espera.

Na consulta inicial, disse logo no começo: “tenho vergonha de estar aqui”. A psicóloga agradeceu por ela dizer, explicou como funcionava o sigilo e combinou que os temas mais difíceis viriam no ritmo dela. Lívia só contou a história do relacionamento na quinta sessão. Disse, depois, que o que a fez continuar foi ter sido ouvida sem pressa, e sem julgamento, nas primeiras conversas.

Vinheta criada para fins didáticos. Não descreve nenhuma pessoa real.

Quando procurar ajuda

Procure terapia quando uma dificuldade causa sofrimento, atrapalha a rotina ou as relações, ou quando você quer entender padrões que se repetem, mesmo que o medo ainda esteja presente. Em risco imediato à sua segurança, procure um serviço de emergência ou o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.

Na prática clínica

Muitas pessoas começam a consulta inicial contando que estão com vergonha ou com medo. Agradeço por dizerem, porque é um ótimo ponto de partida.

Explico como funciona o sigilo, o que acontece com o que é dito e como vamos combinar o ritmo, para que você decida o que falar e quando.

E, ao longo do acompanhamento, pergunto como você está se sentindo na terapia. Se algo incomoda, conversamos sobre isso.

Como eu posso ajudar · Psicoterapia online

Se o medo ou a vergonha têm adiado a sua terapia, posso ajudar você a dar esse passo com calma. Atendo adolescentes e adultos em psicoterapia online, no Brasil e no exterior, com a abordagem junguiana e uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Também realizo terapia de sessão única e avaliação psicológica diagnóstica, inteiramente online.

Sou psicóloga há 18 anos e trabalho no serviço público de saúde. Na consulta inicial, você me conta o que está vivendo, no seu ritmo, eu explico como trabalho e avaliamos juntos se faz sentido seguir. Conheça minha trajetória na página sobre mim.

Perguntas frequentes

É normal ter medo de fazer terapia?

É muito comum. Pesquisas mostram que o estigma e o medo de que outras pessoas saibam estão entre as principais barreiras para buscar ajuda.

O psicólogo vai me julgar?

A psicóloga está ali para compreender, e não para julgar. O Código de Ética veda o preconceito e a imposição de valores pessoais.

O que eu falar na terapia fica em sigilo?

Fica. O sigilo é um dever da profissão, com exceções raras e definidas, como risco grave à vida.

E se eu chorar na sessão?

Chorar é frequente e esperado na terapia. A psicóloga está acostumada e acolhe esse momento.

Posso falar para a psicóloga que estou com medo?

Pode, e é um ótimo começo. O próprio medo pode ser o primeiro assunto da conversa.

Como perder a vergonha de fazer terapia?

Começando pela consulta inicial, levando a vergonha para a sessão, fazendo perguntas sobre sigilo e combinando o ritmo com a profissional.

Avaliação inicial online

Você pode chegar à consulta inicial com medo, com vergonha ou sem saber o que dizer. Conversamos no seu ritmo e decidimos juntos o próximo passo.

  1. Você manda uma mensagem pelo WhatsApp, pelo botão abaixo. A mensagem já vem pronta.
  2. Minha secretária responde, em horário comercial, explica valores e horários e agenda a sua consulta.
  3. Na primeira conversa, vamos entender o que está acontecendo e se o atendimento online é o caminho mais adequado para você. Se não for, eu indico o encaminhamento certo.
WhatsApp da secretária+55 (71) 93300-9686Agendar consulta inicial (abre o WhatsApp em nova guia)

Este conteúdo é informativo e foi escrito por uma psicóloga para ajudar você a compreender o que está vivendo. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou procure atendimento de emergência.

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