Pular para o conteúdo

Terapia e medicação: quando uma, quando a outra, quando as duas

Terapia e remédio: o que cada um faz, quando a terapia vem primeiro, quando a medicação é indispensável, quando combinar e mitos que atrapalham a decisão.

Na sessão, uma mulher com uma sacola de farmácia e uma caixa de remédio no colo conversa com o psicólogo, que escuta atento.

Compartilhar

Neste artigo
  1. O que cada um faz
  2. Quando a terapia costuma vir primeiro
  3. Quando a medicação é indispensável
  4. Quando os dois juntos funcionam melhor
  5. A decisão é compartilhada
  6. Mitos sobre o remédio
  7. Mitos sobre a terapia
  8. Sobre parar o remédio
  9. Um exemplo fictício
  10. Perguntas frequentes
  11. Avaliação inicial online
  12. Fontes

“Será que eu preciso de remédio?” é uma das perguntas mais comuns de quem começa a cuidar da saúde mental. Às vezes vem junto com medo de depender, às vezes com a esperança de uma solução rápida. As duas reações fazem sentido, e a resposta depende do seu quadro.

Em resumo

Terapia e medicação fazem coisas diferentes: o remédio pode reduzir a intensidade dos sintomas; a terapia ajuda a entender o que os mantém e a construir recursos que ficam. Em quadros mais leves de depressão e ansiedade e na insônia crônica, as diretrizes indicam a terapia como primeira escolha. Em transtorno bipolar, psicoses e depressões graves, a medicação é indispensável. Em muitos quadros moderados a graves, a combinação funciona melhor. A decisão sobre remédio é médica e compartilhada.

Tratamento em saúde mental não é uma escolha entre dois times. Terapia e remédio podem vir separados ou juntos, e o que decide é o quadro, a gravidade, a história e a sua preferência.

Os sinais de que é hora de procurar ajuda estão em quando procurar um psicólogo, e a diferença entre os profissionais, em psicólogo ou psiquiatra.

O que cada um faz

A medicação atua sobre a biologia dos sintomas. Pode reduzir a intensidade da tristeza, da ansiedade, da insônia, da agitação ou das alterações da percepção, e em alguns quadros ela é o que torna possível voltar a funcionar. Quem prescreve é o médico, em geral o psiquiatra ou o clínico.

A terapia trabalha com a compreensão e com a mudança. Ajuda a entender o que dispara e mantém o sofrimento, a lidar de outro jeito com pensamentos, emoções e relações, e a construir recursos que continuam depois do fim do tratamento.

Em muitos casos, os dois se complementam: o remédio reduz a intensidade o suficiente para que a terapia consiga avançar, e a terapia ajuda a sustentar a melhora e a reduzir o risco de recaída.

Quando a terapia costuma vir primeiro

Algumas diretrizes clínicas indicam a psicoterapia como primeira escolha em certos quadros:

  • Depressão menos grave. As recomendações do NICE para depressão em adultos orientam que antidepressivos não sejam oferecidos de rotina como primeira linha nesses casos, a menos que essa seja a preferência da pessoa, e listam intervenções psicológicas entre as primeiras opções.
  • Insônia crônica. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono faz uma recomendação forte para a terapia cognitivo-comportamental para insônia, com benefícios que se mantêm depois do tratamento.
  • Muitos quadros de ansiedade, sobretudo quando a pessoa consegue manter a rotina. O caminho está em terapia online para ansiedade.
  • Luto, crises de vida, conflitos nas relações, dificuldades de adaptação, em que o trabalho é sobretudo de compreensão e reorganização.

Nesses casos, a medicação pode entrar depois, se a melhora for insuficiente ou se a pessoa preferir.

Quando a medicação é indispensável

Em alguns quadros, a medicação é parte central do tratamento, e a terapia vem junto, sem substituí-la:

  • transtorno bipolar, em que estabilizadores do humor ajudam a prevenir episódios;
  • psicoses, como a esquizofrenia, em que os antipsicóticos reduzem sintomas e recaídas;
  • depressões graves, sobretudo com ideias de morte, com sintomas psicóticos ou com grande prejuízo no cuidado de si;
  • situações de risco, em que é preciso reduzir rapidamente o sofrimento.

Nesses quadros, a psicoterapia continua importante: ajuda a reconhecer sinais precoces de crise, a manter o tratamento, a organizar a rotina e o sono e a lidar com o impacto do diagnóstico.

Quando os dois juntos funcionam melhor

Em muitos quadros moderados a graves, a combinação costuma trazer os melhores resultados. É o caso de parte das depressões, do transtorno de pânico e do transtorno obsessivo-compulsivo, em que pesquisas mostram vantagem da terapia somada ao remédio sobre o remédio sozinho, como descrevo em psicólogo ou psiquiatra.

No TDAH em adultos, a medicação costuma ser considerada quando os ajustes no ambiente e na rotina não bastam, e a terapia ajuda na organização, na regulação emocional e nas consequências de anos sem diagnóstico. O caminho da avaliação está em avaliação de TDAH em adultos.

A decisão é compartilhada

A decisão sobre medicação é médica, mas não é unilateral. Ela considera:

  • a gravidade do quadro e o risco;
  • a resposta a tratamentos anteriores;
  • efeitos colaterais possíveis e condições de saúde;
  • gravidez, amamentação e outros medicamentos em uso;
  • a sua preferência, depois de entender as opções.

Levar perguntas para a consulta ajuda: “por que este remédio?”, “o que devo esperar e em quanto tempo?”, “quais efeitos colaterais são comuns?”, “por quanto tempo, em princípio?”, “como vamos decidir se está funcionando?”.

Mitos sobre o remédio

“Remédio psiquiátrico vicia.” Depende do remédio. Calmantes do tipo benzodiazepínico podem causar dependência e exigem uso cuidadoso e limitado. Antidepressivos não causam esse tipo de dependência, mas a interrupção brusca pode trazer sintomas desagradáveis, e por isso a redução é feita aos poucos, com orientação médica.

“Vou mudar de personalidade.” O objetivo do tratamento é reduzir sintomas, e não mudar quem você é. Se você sentir que está diferente de um jeito que incomoda, como apatia ou falta de emoções, isso deve ser conversado com o médico, porque a dose ou o remédio podem ser ajustados.

“Tomar remédio é sinal de fraqueza.” Tratar uma condição de saúde é cuidado, como usar óculos ou tratar a pressão alta.

“Vou tomar para sempre.” Em muitos quadros, a medicação é usada por um período e depois reduzida, com acompanhamento. Em outros, como o transtorno bipolar, o uso prolongado protege contra novos episódios. A duração é discutida caso a caso.

Mitos sobre a terapia

“Se eu tomo remédio, não preciso de terapia.” Às vezes o remédio basta por um período. Mas, em muitos casos, a terapia é o que ajuda a entender o que levou ao quadro e a reduzir o risco de voltar.

“Terapia é só para quem não precisa de remédio.” Pessoas com quadros graves se beneficiam muito da terapia, junto com a medicação.

“A terapia pode atrapalhar o efeito do remédio.” Pelo contrário: as duas abordagens costumam se somar, e a comunicação entre os profissionais, com a sua autorização, ajuda a alinhar o plano.

Sobre parar o remédio

Qualquer mudança na medicação, inclusive a interrupção, deve ser feita com o médico. Parar por conta própria pode trazer sintomas de retirada e aumentar o risco de recaída.

Também vale contar na terapia quando a medicação muda. O que você sente nas semanas seguintes pode ter relação com isso, e a psicóloga ajuda a observar e a levar as informações para o médico.

Um exemplo fictício

Fernanda é uma personagem criada para este artigo.

Caso fictício

Fernanda, 33 anos: “eu não queria tomar remédio”

Fernanda procurou terapia por causa de uma tristeza que durava dois meses, depois de uma separação. Conseguia trabalhar, mas dormia mal e tinha perdido o interesse por quase tudo. Tinha medo de “ficar dependente de remédio” e pediu para começar só com a terapia.

A psicóloga concordou, combinou reavaliar a evolução nas semanas seguintes e explicou em que situações indicaria uma avaliação médica. Em seis semanas, o sono melhorou e ela voltou a sair com as amigas. Meses depois, numa fase mais difícil, quando surgiram ideias de que “não valia a pena continuar”, a psicóloga a encaminhou ao psiquiatra no mesmo dia. Fernanda começou a medicação e seguiu na terapia.

Vinheta criada para fins didáticos. Não descreve nenhuma pessoa real.

Quando procurar ajuda

Procure ajuda quando o sofrimento dura semanas, muda o seu jeito habitual ou atrapalha a rotina. Pensamentos de morte, crises intensas ou mudanças bruscas de comportamento pedem avaliação médica rápida. Em risco imediato à sua segurança, procure um serviço de emergência ou o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.

Na prática clínica

Na consulta inicial, pergunto pelo que você está vivendo e também por sinais que pedem avaliação médica. Quando é o caso, indico o psiquiatra ou o clínico e explico por quê.

Se você prefere começar sem remédio e o quadro permite, combinamos como vamos acompanhar a evolução e em que momento uma avaliação médica passaria a ser necessária.

E, se você já toma medicação, conversamos sobre como a terapia pode somar. Com a sua autorização, posso me comunicar com o seu médico.

Como eu posso ajudar · Psicoterapia online

Se você está em dúvida entre terapia, remédio ou os dois, posso ajudar a pensar no melhor caminho para o seu caso. Atendo adolescentes e adultos em psicoterapia online, no Brasil e no exterior, com a abordagem junguiana e uma base sólida em psicopatologia e psicologia da saúde. Também realizo terapia de sessão única e avaliação psicológica diagnóstica, inteiramente online.

Sou psicóloga há 18 anos e trabalho no serviço público de saúde. Na consulta inicial, você me conta o que está vivendo, eu explico como trabalho e avaliamos juntos o próximo passo, inclusive se ele envolve outro profissional. Conheça minha trajetória na página sobre mim.

Perguntas frequentes

Preciso de terapia ou de remédio?

Depende do quadro. Em depressões menos graves, em muitos quadros de ansiedade e na insônia crônica, a terapia costuma vir primeiro. Em transtorno bipolar, psicoses e depressões graves, a medicação é indispensável.

Terapia e remédio juntos funcionam melhor?

Em muitos quadros moderados a graves, sim. A combinação costuma trazer resultados melhores do que o remédio sozinho.

Remédio psiquiátrico vicia?

Depende. Calmantes benzodiazepínicos podem causar dependência. Antidepressivos não causam esse tipo de dependência, mas a interrupção deve ser gradual e orientada pelo médico.

Posso tratar depressão só com terapia?

Nas depressões menos graves, a terapia costuma ser a primeira escolha. Nas graves, sobretudo com ideias de morte, a avaliação médica é necessária.

O psicólogo pode indicar remédio?

A psicóloga pode indicar a avaliação médica, mas quem prescreve é o médico.

Posso parar o remédio quando melhorar?

Qualquer mudança deve ser feita com o médico. Parar por conta própria pode trazer sintomas de retirada e aumentar o risco de recaída.

Avaliação inicial online

Se você está em dúvida sobre o caminho, a consulta inicial ajuda a entender o que você está vivendo e a decidir juntos o próximo passo, inclusive se ele envolve avaliação médica.

  1. Você manda uma mensagem pelo WhatsApp, pelo botão abaixo. A mensagem já vem pronta.
  2. Minha secretária responde, em horário comercial, explica valores e horários e agenda a sua consulta.
  3. Na primeira conversa, vamos entender o que está acontecendo e se o atendimento online é o caminho mais adequado para você. Se não for, eu indico o encaminhamento certo.
WhatsApp da secretária+55 (71) 93300-9686Agendar consulta inicial (abre o WhatsApp em nova guia)

Este conteúdo é informativo e foi escrito por uma psicóloga para ajudar você a compreender o que está vivendo. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU), ou procure atendimento de emergência.

Continue lendo

Mais sobre Terapia online

De outro tema

Voltar ao topo